arapiraca em 1979, algumas memórias.

(esta foto é da Feira Livre nos anos 40 ou 50)

Era 1979 e a cidade estava quente naquele verão. Caminhando pela 30 de Outubro até a Praça Marques eu prestava atenção aos primeiros orelhões azuis da antiga Telasa. Comprava-se umas moedas telefônicas para se falar. Era uma época de poucos telefones particulares na cidade, e os números eram com três dígitos. Lembro do telefone da farmácia de amigos da família: número 784.

Naquela época não havia o parque Ceci Cunha mas um rio piauí que se confundia com lamaçal de esgoto e mangue. A ligação do Comércio com o Alto do Cruzeiro era pela passagem precária sobre o quase-rio piauí. O Alto do Cruzeiro, como a praça dos Curis, o Baixão, o Capiatã e as Cacimbas são as áreas mais antigas, inaugurais.

A fonte luminosa da praça Marques funcionou alguns meses, ali de frente ao Cine Trianon, derrubado para hoje dar lugar à uma loja de jeans popular. Muito do patrimônio histórico e cultural se foi, como o Cine Trianon, a antiga Matriz, a fonte da praça Marques, a Estação Ferroviária, os casarões do oitão da Igreja entre o comércio e a praça Marques.

Nesses idos do início dos anos 80 a feira-livre era a identidade da cidade, repetia-se a ladainha da maior feira-livre contínua do nordeste. Lembro de uma banca de vender bananola que meu pai fabricava. Era intenso aquele movimento. Estava ali na frente da hoje concatedral, uma igreja enorme, com paredes de azulejos brancos, e não havia aquela cruz que está lá hoje.



























Nessa época a cidade tinha meia dúzia de taxis e a Prefeitura funcionava na praça da Prefeitura, num dos prédios mais imponentes, hoje despersonalizado na travessia para dar espaço ao Museu. E daí vem lembranças do Vascore, talvez o primeiro supermercado, ali na rua do Comércio. A lanchonete no primeiro andar com sorvete virou parada obrigatória.

E o Vascore me faz imediatamente lembrar de uma lanchonete antiga chamada Sorveteria Pinguim, na praça Marques. Lá serviam uns sorvetes em taça de metal e vinha com uma porção generosa de doce de banana com calda. Aquilo era um turbilhão de sabor. E minha memória afetiva aqui fica bem aguçada. Parece que revejo o espaço nesse momento.

A cidade não possuía conjuntos residenciais. Nada lá pros lados da AL-220, área praticamente rural, visto que a cidade acabava no Alto do Cruzeiro, Caititus, Baixão, Cacimbas, Primavera, Rodoviária e Brasília. Nada além desses limites. Depois disso eram os sítios. O lago da Perucaba era frequentado pela vizinhança para banhos embora desde sempre poluído.

E tinha o fumo, nos quatro cantos da cidade. Aliás, a feira-livre era identidade arapiraquense embora a cidade tenha ficado conhecida como Terra do Fumo. Muito comércio de fumo. Imensas plantações fumageiras. Então surgiu o Clube dos Fumicultures, lugar da classe A da cidade. Um clube onde havia shows e boates. A primeira piscina social, das festas, dos burburinhos.


A feira e o fumo fizeram a fortuna de muitas famílias da cidade. Diria mesmo que nossa burguesia, aquela de sangue local, foi feita de feira e fumo. A feira e o fumo construíram nosso comércio e nossa indústria. É recente o desvio da recusa do plantio do fumo, ainda que hoje seja possível ver plantações de tabaco na frente do novíssimo shopping center. 
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